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Pioneirismo na negociação de créditos de carbono

Uma cooperativa do interior do Mato Grosso do Sul foi uma das primeiras do país a negociar créditos de carbono com parceiros internacionais. Uma história que comprova: por trás de cada desafio existem grandes oportunidades.

Tudo começou em 2005, quando a Cooperativa de São Gabriel do Oeste (Coasgo) começou a olhar com mais atenção para os impactos ambientais de sua produção. Ela percebeu que o depósito desses dejetos, sem tratamento, causava mau odor nas proximidades das propriedades. Isso não apenas gerava reclamações dos moradores locais, como implicava em um risco real de contaminação do meio ambiente, com preocupação especial sobre o Aquífero Guarani.

Antes que isso acontecesse, a cooperativa estabeleceu uma meta audaciosa: encontrar uma alternativa eficiente de manejo sustentável dos dejetos que, além de ambientalmente correta, ajudasse a aumentar a produtividade dos cooperados.

Depois de muito pesquisar, a equipe da Coasgo firmou parceria com a AgCert — empresa canadense especializada em sequestro de carbono, com base no protocolo de Quioto e uso do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Juntas, elas implantaram um projeto-piloto de biodigestores de dejetos suínos. A tecnologia consiste em criar um ambiente hermético para a decomposição anaeróbica desse material. O biogás resultante desse processo químico é utilizado na geração de energia elétrica limpa e sustentável, além de biofertilizantes.

Os investimentos iniciais foram feitos por empresas de tecnologia como a AgCert e a Brascarbon, que se beneficiavam com os créditos de carbono gerados pela redução da emissão de gases do efeito estufa pela cooperativa. Uma parceria inovadora no cooperativismo, com um ganho adicional para os cooperados: a tecnologia em questão foi disponibilizada para todos os associados da Coasgo, independentemente do tamanho da propriedade, sem custo inicial para o produtor.

BENEFÍCIOS ADICIONAIS

Desde sua implantação, há 16 anos, o projeto de biodigestão da Coasgo gerou 27,8 milhões de quilowatts de energia limpa e sustentável, que foram revertidos em benefício dos próprios cooperados. Ele também ajudou a cooperativa a reduzir em 194,9 milhões de metros cúbicos a emissão de gases do efeito estufa, colaborando com a mitigação do avanço do aquecimento global. Esse resultado garantiu à Coasgo cerca de R$ 3,5 milhões em créditos de carbono.

Outro benefício direto da instalação dos biodigestores foi a reciclagem da matéria orgânica e dos nutrientes do rebanho suíno. Desde o início do programa, os cooperados conseguiram melhorar a higienização das instalações para criação de animais com o tratamento de seus dejetos.

O projeto também gerou economia na demanda da produção e distribuição de energia elétrica; melhora nas condições de higiene animal e pessoal, além da redução dos índices de contaminação do ambiente por microrganismos nocivos e parasitas.
Para a comunidade, a preservação dos leitos dos rios e dos lençóis freáticos foi a conquista mais importante. Ela não apenas melhorou a qualidade de vida das pessoas, como aumentou a confiança delas no futuro da cooperativa e do planeta.