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Fique por Dentro

23/11/2021

Mercosul une forças contra o aquecimento global

Essa é a primeira vez que os quatro países integrantes do bloco unem esforços em favor da busca de soluções comuns e efetivas para o problema da mudança do clima

Um dos legados da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP26) é a rearticulação dos países do Mercosul em torno da agenda ambiental. Esse movimento sinaliza para o mercado que as boas práticas em sustentabilidade vão contar muito para o sucesso dos negócios. As cooperativas interessadas em exportação devem estar bem atentas a esse novo momento, já que o Mercosul segue na expectativa de fechar um acordo de livre-comércio com a União Europeia e os compromissos ambientais são peça-chave nessa negociação.

Além do Brasil, são membros efetivos do bloco Argentina, Paraguai e Uruguai. Até a COP26, o Paraguai se articulava em torno do debate sobre meio ambiente por meio da Associação Independente da América Latina e Caribe (Ailac). A partir de agora, também fará parte dos esforços liderados pelo Mercosul para discutir a questão no âmbito internacional.

O anúncio do novo grupo negociador sobre mudança climática do Mercosul foi realizado dia 11 de novembro, durante a reunião dos ministros do Meio Ambiente em Glasgow, na Escócia. Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil destacou que “essa é a primeira vez que os quatro integrantes do Mercosul unem esforços em favor da busca de soluções comuns e efetivas para o problema da mudança do clima”.

Os países que integram o bloco terão como um dos principais desafios acompanhar, de forma conjunta, os repasses prometidos pelos países desenvolvidos para combater os efeitos das mudanças climáticas nos países mais pobres ou em desenvolvimento. A ativação do mercado de crédito de carbono está no topo das prioridades da agenda.

O Brasil liderou as negociações que resultaram na aprovação da proposta de criação do mercado global de carbono. O país pode se tornar um grande exportador de créditos. Para isso, é fundamental a preservação da floresta nativa e a mudança da matriz energética. Pesquisas indicam que, em 2030, as transações em torno do crédito de carbono podem movimentar US$ 167 bilhões ao ano.

 

ECONOMIA VERDE

O ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, acredita que o Mercosul deu um enorme e importante passo na direção da economia verde.

“Isso é fantástico para o Brasil, para a América Latina, para quem tem floresta nativa. Um imenso desafio, principalmente pela resistência dos maiores poluidores em relação aos recursos para o fundo de adaptação, o que quase bloqueou as negociações. Mas o Brasil será um gigante exportador nessa nova economia verde, é uma oportunidade única”, destacou Leite.

As organizações da sociedade civil que participaram da COP26 também estabeleceram uma articulação com países da América Latina. Durante os debates, foi criado o Fórum Afro-Interamericano de Mudanças Climáticas, uma articulação de organizações negras de mais de 10 países latino-americanos e caribenhos.

Elas defendem que sejam desenvolvidas ações e políticas públicas capazes de promover a justiça climática e a justiça racial. “Cuidar do planeta passa, inevitavelmente, por erradicar o racismo, valorizar culturas e promover vida com dignidade”, defende a ativista Sylvia Siqueira, diretora da organização Nuestra America Verde.

Cooperativismo do Mercosul

Há exatos vinte anos, em 17 de outubro de 2001, foi criada a Reunião Especializada de Cooperativas do Mercosul, a RECM. O organismo, que integra a estrutura formal do Mercosul, tem o objetivo de integrar e promover a intercooperação entre as cooperativas dos quatro países do Cone Sul.

Fazem parte desta estrutura regional os órgãos governamentais de fomento ao cooperativismo em cada um dos países, e as organizações representativas das cooperativas. A OCB foi membro fundador da RECM e tem apoiado o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento na interlocução com os demais membros da RECM.

Em comemoração aos seus 20 anos de fundação, os membros da RECM, sob a presidência rotatória do Brasil, estão debatendo um novo planejamento estratégico. Apoiado pelo Departamento de Relações Econômicas e Sociais da ONU, o planejamento estratégico está baseado nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

As metas estabelecidas são audaciosas: incentivar a participação feminina nos espaços de decisão das cooperativas do Mercosul, fomentar os negócios e a intercooperação, e, apoiar as cooperativas no desenvolvimento de negócios sustentáveis e na redução de suas emissões de gases poulentes.