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Fique por Dentro

11/11/2021

Bancos e investidores internacionais buscam projetos cada vez mais sustentáveis

Essa é uma bela oportunidade para as cooperativas que aliam produção com sustentabilidade

O mapa do caminho para alavancar os negócios das cooperativas brasileiras aponta para a urgência de priorizar a sustentabilidade em todos os projetos e atividades. O recado vem da Conferência do Clima das Nações Unidas (COP26), que termina essa semana, em Glasgow, na Escócia.

Representantes de bancos e de grandes grupos de investimento participaram de painéis de debates da conferência e foram enfáticos em dizer que isso não é apenas uma tendência. As linhas de financiamento para a chamada economia verde só tendem a aumentar nos próximos anos, especialmente nos países de economia emergente, como o Brasil.

O Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), o banco dos Brics (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), foi criado há seis anos e já possui um portfólio de projetos de R$ 180 bilhões, sendo 25% dos investimentos relacionados a empreendimentos que atendem aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Entre as iniciativas financiadas pelo NBD estão um grande complexo de energia solar no Brasil, pequenas usinas hidrelétricas na Rússia e parques de energia eólica na China. Outros bilhões de dólares a juro zero ou negativo em títulos de renda fixa estão disponíveis para quem apresentar projetos sustentáveis e ambientalmente responsáveis.

De acordo com o presidente do NBD, Marcos Troyjo, os empreendimentos que atualmente geram interesse nos investidores aliam infraestrutura e tecnologia. Isso traz para o primeiro plano as iniciativas no âmbito da economia verde e digital.

“A aproximação entre o verde e o digital é importante e precisamos nos preparar para ela”, alertou Troyjo durante painel no pavilhão brasileiro na COP26. Para ele, também é necessário pensar em uma educação verde digital. “Conforme você faz uma transição para uma economia mais verde, você vai precisar de mais capacitação para as pessoas operarem esses setores inovadores, como robótica e bioeconomia.”

JANELA DE OPORTUNIDADES

Integrante da delegação brasileira, o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, aproveitou a COP26 para estimular investidores e empreendedores a aproveitar a “janela de oportunidades” aberta pela conferência. Parte dos investimentos do NBD no Brasil são feitos em parceria com o BNDES e, portanto, estão alinhados com a priorização de projetos sustentáveis. Ou seja, iniciativas que utilizam, por exemplo, energias alternativas e fazem a compensação da degradação ambiental.

Os representantes dos bancos públicos brasileiros já planejam, inclusive, a criação de incentivos e mecanismos de reconhecimento para o produtor rural que contribui com a preservação florestal. “Nos próximos cinco anos daremos R$ 120 bilhões para financiar investimentos verdes e criaremos créditos de carbono para tirar 19 anos de poluição por uso de carro em São Paulo”, afirmou o presidente do BNDES na COP26.

O presidente do Banco do Brasil, Fausto de Andrade, esteve no pavilhão brasileiro da conferência e defendeu a criação de um mecanismo que ajude os agricultores a preservar as áreas verdes, que muitas vezes geram grandes custos para proteção. O Banco do Brasil concentra a maior parte do crédito rural do país e nos próximos anos também pretende incentivar a implementação da política de créditos de carbono no Brasil.